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STJ julga Tema 1218, sobre o piso do magistério

Audiência discute os efeitos do piso salarial nacional nos planos de carreira dos professores da educação básica

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STJ julga nesta quarta-feira Tema 1218.

STJ julga nesta quarta-feira Tema 1218.

O Supremo Tribunal Federal (STF) vota nesta quarta-feira (14) o Tema 1218, que discute se o piso salarial nacional do magistério deve servir de referência para o vencimento inicial da carreira docente e produzir reflexos nos demais níveis, faixas e classes salariais. A decisão poderá orientar julgamentos semelhantes em todo o país e influenciar a forma como estados e municípios organizam e remuneram suas carreiras do magistério.

A discussão tem como origem um recurso extraordinário apresentado pelo Estado de São Paulo, no qual se questiona uma decisão judicial que determinou a aplicação do piso nacional como referência para o salário-base dos professores, com repercussão nos diferentes níveis e classes da carreira.

 

Entenda o histórico da disputa

A Lei Federal nº 11.738/2008 instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica, estabelecendo um valor mínimo para a remuneração inicial dos profissionais abrangidos pela legislação.

Em 2011, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4167, o STF reconheceu a constitucionalidade da lei e consolidou o entendimento de que o piso corresponde ao vencimento inicial, e não à remuneração total, composta por gratificações e outras vantagens.

A controvérsia do Tema 1218 vai além do pagamento do valor mínimo. O ponto central é definir se a atualização do piso deve repercutir automaticamente nos demais níveis, faixas e classes das carreiras docentes, preservando o escalonamento salarial entre profissionais em diferentes etapas da trajetória funcional.

Para as entidades representativas dos trabalhadores em educação, a questão é fundamental porque a carreira estabelece diferenças remuneratórias relacionadas à formação, ao tempo de serviço e à progressão funcional. Caso o reajuste do piso não produza os efeitos previstos nas legislações e nos planos de carreira, essas diferenças podem ser reduzidas ou comprometidas.

 

Como está a votação no STF?

O julgamento teve movimentações ao longo dos anos e foi retirado de pauta em maio de 2025, sendo retomado em maio de 2026, com divergências entre os ministros sobre os efeitos do piso salarial nacional nos planos de carreira do magistério. Dias Toffoli apresentou voto divergente, acompanhado por Alexandre de Moraes, defendendo a adequação dos vencimentos-base ao piso atualizado e a definição dos reflexos nas carreiras. Em 25 de maio, Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo a análise.

 

O que defendem as entidades sindicais?

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), unida a outras entidades, acompanha o processo e manifesta preocupação com possíveis consequências para os direitos dos profissionais da educação.

A posição é de que piso salarial e carreira são elementos inseparáveis da valorização profissional. Para as entidades, o piso nacional não deve ser tratado apenas como um valor mínimo isolado, mas como parte de uma política de valorização que reconheça a formação, a experiência e a progressão funcional dos trabalhadores.

As organizações também alertam que uma interpretação restritiva pode dificultar a efetivação de direitos previstos em legislações estaduais e municipais e comprometer decisões judiciais que já determinaram o cumprimento dessas normas.

Outro ponto levantado pelos movimentos sindicais é a necessidade de assegurar condições para que estados e municípios cumpram a legislação, sem permitir que dificuldades administrativas ou orçamentárias se transformem em justificativa para o descumprimento de direitos legalmente estabelecidos.

 

Por que o Tema 1218 importa para os profissionais em educação de Rondônia?

Para o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação (SINTERO), acompanhar as decisões que afetam o piso salarial nacional é fundamental para a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Embora o processo tenha origem em uma controvérsia envolvendo o Estado de São Paulo, a tese que vier a ser definida pelo STF poderá orientar casos semelhantes em todo o país, inclusive em Rondônia.

O resultado poderá influenciar as discussões sobre vencimento inicial, progressão funcional e efeitos dos reajustes nos planos de carreira, conforme a legislação aplicável a cada rede de ensino.

A valorização do magistério exige mais do que a atualização de um valor mínimo: pressupõe respeito à legislação, reconhecimento da trajetória profissional e políticas públicas que fortaleçam a carreira docente.

O SINTERO está atento aos desdobramentos do Tema 1218, considerando a importância do julgamento para a categoria e para a defesa de uma educação pública de qualidade, com profissionais valorizados e direitos respeitados.

 

Texto: Camila Pinheiro

Imagem: Wikipédia