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SINTERO promove evento Dedo de Prosa, em Rolim de Moura

Encontro debateu a importância e as contribuições da África para o mundo

O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Rondônia (SINTERO), junto com a Associação Semeando Letras e Cidadania (ASELCI), a Fundação Municipal de Cultura e Juventude de Rolim de Moura (FUNCJ), e o Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) promoveram, no último dia 23 de maio, o evento Dedo de Prosa. A solenidade teve como tema “Dia da África”, celebrado no dia 25 de maio. 

No encontro foram realizados diálogos sobre a importância e as contribuições da África para o mundo e da cultura africana e afro-brasileira, problematizando questões relacionadas a pluralidade de experiências e trajetórias de formação daquela espacialidade e as diásporas do povo africano, religião, culinária, línguas, artes, músicas, danças, preconceito e racismo e a inserção histórica do negro na sociedade brasileira.

O Dia da África, também conhecido como Dia da Libertação da África, é celebrado em 25 de maio, em referência ao aniversário da Organização Unidade Africana (OUA), substituída em 2002 pela União Africana. 

Criada em 1963, a OUA foi a primeira instituição continental pós-independência de diversos países africanos. Ela representa a busca de vários povos do continente por união desenvolvimento, democracia e liberdade, contra a colonização europeia.

Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu que 25 de maio seria o dia da África ou o dia da Libertação da África, mesma data da criação da Organização da Unidade Africana. 

No Brasil, a data tem como objetivo promover o reconhecimento da história e cultura africana com a história do país.

Este maio também se comemora o centenário do grande Milton Santos (1926-2026). Negro e neto de um escravizado, o baiano de Brotas de Macaúbas nasceu há 100 anos e se tornou figura fundamental no entendimento do Brasil e do mundo globalizado. Construiu um pensamento geográfico radicalmente comprometido com a realidade brasileira e com os povos do Sul global. Defensor de uma geografia crítica, produziu reflexões que romperam com modelos euro centrados e propôs uma leitura do território como espaço de conflito, desigualdade e resistência. Intelectual generoso, formou discípulos no Brasil e no exterior, enfrentou o exílio durante a ditadura e seguiu publicando obras de impacto internacional. Suas contribuições atravessaram fronteiras disciplinares, influenciando estudos em sociologia, urbanismo e economia. Recebeu o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia, em 1994. Morreu em 2001, mas suas ideias seguem pulsando.

O evento do dedo de prosa contou com a apresentação do grupo de capoeira Zambi sob a coordenação do mestre Terra Samba, com a apresentação de uma reportagem/documentário sobre a vida de Milton Santos e duas performances do dançarino Leandro Pires e uma exposição de fotografia com o tema afro realizada por Carlos Neves e o diálogo entre os participantes o qual foi muito produtivo.

Para o professor e diretor sindical Doutorando Socrates Alves especialista em História da África e cultura afro-brasileira: “Essa é uma data para refletirmos sobre a libertação ou independências dos países africanos, que mesmo após anos de dominação e exploração colonialista e neocolonialista se uniram juntamente com povos africanos que estavam em outros continentes, e a partir do pan-africanismo e de outros movimentos de luta conseguiram juntos conquistar a tão sonhada liberdade política e independência de seus países. É também um momento para discutirmos sobre as contribuições da África para o mundo, especialmente para o Brasil, seja na religião, culinária, línguas, artes, músicas, danças, literatura, filosofia e na cultura afro-brasileira em geral. E principalmente combatermos o preconceito e o racismo existente na nossa sociedade, juntando as significativas contribuições de Milton Santos um grande ícone da geografia brasileira.”